Entrevista:
Clube do Leitor entrevista o escritor Leox Hurt

Entre memórias, reflexões e humanidade, Leox Hurt transforma experiências em poesias que convidam o leitor a enxergar o mundo — e a si mesmo — de outra maneira.

Clube do Leitor: A escrita acompanha você desde a adolescência. Que lembranças daquele período ainda influenciam os poemas que escreve hoje?

Leox Hurt: Diria que tanto lembranças boas quanto ruins daquele período ainda me influenciam até hoje. Por exemplo, perdi minha mãe para as drogas com 19 anos, amizades da época, amores que vivi, e principalmente desde aquela época eu sempre quis que minhas poesias inspirassem outras pessoas. Mas deixando as coisas pesadas de lado, os acontecimentos do dia a dia e as próprias palavras em si sempre influenciaram o modo como escrevo, usando a poesia Antes de tudo como exemplo, ela foi inteiramente inspirada na mesma frase, que me veio na cabeça, e eu diria que peguei esse gosto de escrever assim.

Clube do Leitor: O título Que minhas poesias os alcancem carrega uma intenção muito bonita. O que você espera despertar nos leitores ao compartilhar seus versos?

Leox Hurt: Reflexão. Sinto que as pessoas por inúmeros fatores deixaram, não sem motivos de refletir, usando experiências pessoais como exemplo, tem pessoas que conheci que senti que tinham medo de “mudar de ideia” sobre algum assunto, sendo que ao menos para mim estamos em constante mudança, acho a frase “cada pessoa carrega uma versão se você” muito real, e por isso vejo muitos com medo de ser julgado, mas se eu vivesse com medo de ser julgado, como já fui e muito, acho muito provável que eu não estaria dando essa entrevista.

Clube do Leitor: Sonhos, emoções e reflexões sobre a vida aparecem com frequência em sua obra. De onde vem a inspiração para transformar experiências e sentimentos em poesia?

Leox Hurt: Acho que a principal inspiração para a grande maioria das poesias que escrevi até hoje são principalmente as palavras. Primeiro passo, Aos eus, Mortos-vivos, Ca fé Café, Que seja, Se somos filhos são algumas poesias que posso citar que tive a inspiração pelas palavras em si, mas amo filosofia e sociologia, que desde a época da escola honestamente foram minhas melhores matérias. Mas se for para citar autores, eu diria que Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Charles Bukowski.

Clube do Leitor: Ao olhar para sua trajetória literária até aqui, quais foram os principais aprendizados que a poesia lhe proporcionou como escritor e como pessoa?

Leox Hurt: Humildade e observação. Humildade de entender que apesar de escrever poesias interessantes, criativas e diferentes, sou apenas um escritor como milhares por aí, que estão tentando chamar a atenção dos leitores. E observação de entender que nas circunstâncias certas, tudo pode virar uma poesia. Mas não só isso, a humildade me permitiu entender que assim como eu erro, todas as pessoas ao meu redor erram, então tento perdoar as pessoas como gostaria de ser perdoado se a situação fosse comigo, e observação para entender essas e outras situações pelo que acho que seria “o ponto de vista” da pessoa, assim compreendendo mais não só das pessoas, mas como funciona a sociedade e o mundo em si.

Clube do Leitor: Quais desafios criativos você tem vontade de enfrentar em seus próximos projetos literários?

Leox Hurt: Não só tenho vontade de enfrentar como estou enfrentando uma mudança de gêneros. Estou escrevendo um terror psicológico com drama, ficção científica e fantasia. O mais irônico? Eu odeio terror, mesmo assim a ideia da obra é bem interessante então vou buscar mais sobre terror e terror psicológico para me ajudar nas ideias para essa nova etapa como escritor.

Clube do Leitor: Para os leitores que estão conhecendo sua obra agora, qual poema ou mensagem você gostaria que permanecesse com eles após a leitura?

Leox Hurt: O poema e a mensagem são bem semelhantes, a poesia seria a Antes de tudo pois as pessoas colocam muitos obstáculos para se separar em categorias e se distanciar uns dos outros. Religião, política, futebol, sexualidade, cor de pele, país, dinheiro… No final do dia, antes de tudo isso somos humanos, da mesma espécie, do mesmo planeta. Deveríamos estar lutando juntos por um amanhã melhor, não uns contra os outros.

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