Entrevista:
Clube do Leitor entrevista o Prof. Marcelo C. Costa

Na entrevista, o Prof. Marcelo C. Costa propõe uma reflexão provocadora: por trás das decisões logísticas que movem mercadorias e cadeias de suprimento, existem escolhas éticas capazes de impactar pessoas, empresas e o próprio futuro do mercado. Ao aproximar filosofia e gestão operacional, ele defende que pensamento crítico, dialética e responsabilidade social não são obstáculos à eficiência, mas fundamentos para uma competitividade sustentável, capaz de formar gestores que não apenas transportam produtos, mas também assumem o compromisso de gerar valor, propósito e impacto coletivo.

Clube do Leitor: O livro parte da ideia de que decisões logísticas são, antes de tudo, escolhas éticas. Em que momento da sua trajetória profissional essa percepção deixou de ser teórica e passou a se impor como uma urgência prática?

Prof. Marcelo C. Costa: A percepção se tornou urgente quando percebi que, atrás de cada métrica de entrega, existe uma vida impactada. Na gestão de grandes operações, vi que decidir entre um fornecedor mais barato e um sustentável não era apenas uma conta matemática, mas uma declaração de valores que molda o mundo ao nosso redor.

Clube do Leitor: Ao aproximar filosofia e logística, o senhor rompe com uma tradição que costuma separar pensamento crítico e eficiência operacional. Que resistências encontrou ao defender essa integração?

Prof. Marcelo C. Costa: A principal resistência é o mito de que o “pensar” atrasa o “fazer”. No mundo corporativo, muitos temem que a filosofia torne os processos lentos. Minha defesa é inversa: a falta de reflexão crítica é o que gera desperdício ético e operacional, pois agir sem propósito é a forma mais rápida de chegar a lugar nenhum.

Clube do Leitor: Na prática, como conceitos como dialética e pensamento crítico podem transformar decisões logísticas em contextos de alta pressão?

Prof. Marcelo C. Costa: A dialética nos permite enxergar a síntese entre eficiência e humanidade. Em momentos de crise, o pensamento crítico evita o “piloto automático”, permitindo que o gestor escolha rotas que, embora complexas, preservam a integridade da cadeia e a sustentabilidade do negócio a longo prazo.

Clube do Leitor: Em um mercado que valoriza rapidez e redução de custos, como sustentar uma gestão com responsabilidade social sem perder competitividade?

Prof. Marcelo C. Costa: A competitividade real hoje é ética. Empresas que ignoram o impacto social sofrem “custos invisíveis” de reputação e crises. Incorporar práticas sustentáveis não é um sacrifício de lucro, mas um investimento em longevidade; o mercado mais exigente de hoje já não aceita a eficiência que ignora a humanidade.

Clube do Leitor: Que tipo de profissional o setor logístico precisa formar agora e que mudança de mentalidade isso exige?

Prof. Marcelo C. Costa: Precisamos de “gestores-pensadores”. A técnica é o básico, mas a sensibilidade ética é o diferencial. A mudança exige sair da visão isolada de “transportar caixas” para a visão sistêmica de “gerar valor e impacto”. O novo profissional deve ser, essencialmente, um agente de mudança comprometido com o bem-estar coletivo.

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