Entrevista:
Entrevista — Clube do Leitor com a escritora Ana Paula Oliveira

Entre a dor do luto gestacional e a reconstrução da esperança, a pediatra e autora Ana Paula Oliveira transforma uma experiência profundamente íntima em testemunho de acolhimento e força. Ao entrelaçar ciência, espiritualidade e saúde emocional, sua narrativa rompe o silêncio que cerca as perdas gestacionais e convida outras mulheres a reconhecerem que não estão sozinhas — oferecendo, nas páginas do livro, companhia sensível para quem atravessa a dor, a espera e a busca por sentido.
Clube do Leitor: Seu livro nasce de uma experiência profundamente íntima. Em que momento você percebeu que essa história precisava ser transformada em livro e compartilhada com outras pessoas?
Ana Paula Oliveira: Meu livro nasceu de uma experiência muito íntima e de um período profundamente desafiador da minha vida. A escrita começou como uma forma de organizar sentimentos e lidar com tudo o que eu estava vivendo. Com o tempo, percebi que aquela história não falava apenas sobre mim, mas sobre uma experiência que muitas mulheres também atravessam. Foi então que entendi que transformá-la em livro poderia ser uma forma de acolher e fazer companhia a outras pessoas que vivem processos semelhantes.
Clube do Leitor: Ao longo da narrativa, vemos ciência, espiritualidade e saúde emocional caminhando juntas. Como foi para você conciliar essas dimensões durante sua própria jornada?
Ana Paula Oliveira: Durante minha jornada, percebi que ciência, espiritualidade e saúde emocional não eram caminhos opostos, mas dimensões que se complementavam. A ciência me trouxe compreensão e direcionamento, enquanto a espiritualidade me sustentou nos momentos de maior incerteza. Ao mesmo tempo, cuidar da minha saúde emocional foi essencial para atravessar esse processo com mais consciência e equilíbrio. Conciliar essas dimensões foi, para mim, uma forma de encontrar sentido e força ao longo do caminho.
Clube do Leitor: O livro aborda um tema ainda cercado de silêncio: as perdas gestacionais e o luto materno. O que você gostaria que mais mulheres soubessem ou sentissem ao ler sua história?
Ana Paula Oliveira: Gostaria que as mulheres soubessem, acima de tudo, que não estão sozinhas.  Muitas vezes esse silêncio, que existe ao redor do luto materno, aprofunda a dor. Ao compartilhar minha história, espero que cada mulher que passe por essa experiência se sinta acolhida, compreendida e validada em seus sentimentos. Que encontrem nas páginas do livro não apenas um relato, mas também companhia, esperança e a certeza de que sua dor merece ser reconhecida e cuidada.
Clube do Leitor:Como pediatra, mãe e agora autora, de que maneira a escrita transformou sua forma de compreender a dor, a espera e a esperança?

Ana Paula Oliveira: A escrita foi, para mim, um processo de elaboração e ressignificação. Como pediatra, estou acostumada a olhar para a vida a partir do cuidado e da ciência; como mãe, vivi de forma muito profunda a dor, a espera e a esperança. Escrever me permitiu organizar essas experiências, compreender melhor meus sentimentos e dar sentido ao que vivi.

Com o tempo, percebi que colocar essa história no papel também tinha um propósito maior. Transformar minha vivência em palavras se tornou uma forma de testemunho — de fé, de esperança e de cuidado. Ao compartilhar essa jornada, desejo que outras mulheres se sintam acolhidas e lembradas de que, mesmo nos caminhos mais difíceis, ainda pode existir sentido, força e esperança

Clube do Leitor: Para as leitoras que estão atravessando momentos de perda, dúvida ou espera, que mensagem você gostaria que permanecesse com elas após a leitura do seu livro?

Ana Paula Oliveira: Gostaria que elas levassem consigo a certeza de que não estão sozinhas. A dor da perda, a dúvida e a espera podem ser profundamente solitárias, mas existem muitas mulheres atravessando caminhos semelhantes. Espero que, ao ler minha história, elas se sintam acolhidas em seus sentimentos e compreendam que sua dor é legítima.

E que, mesmo nos períodos mais difíceis, ainda é possível encontrar força, fé e esperança para seguir um dia de cada vez. Que o livro seja, acima de tudo, uma companhia nesse processo

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