Clube do Leitor: O diagnóstico de câncer costuma ser vivido como um “deserto”, como você descreve no livro. Em que momento, dentro desse cenário de medo e incertezas, a fé deixou de ser apenas uma crença e passou a se tornar um lugar de abrigo e força diária para você?
Poliana Ramos Nogueira: No início, a fé ainda caminhava muito ligada àquilo que eu sempre acreditei e vivi: ir à igreja, rezar, confiar em Deus. Mas, no momento em que o diagnóstico chegou e o medo se tornou concreto, a fé deixou de ser apenas uma convicção intelectual e passou a ser um lugar de permanência. Foi quando percebi que eu não conseguiria atravessar aquele deserto sozinha. Houve dias em que o corpo estava frágil e a alma cansada, e nesses dias a fé foi o abrigo onde eu me recolhia. Ela se tornou presença diária, sustento silencioso, um diálogo constante com Deus. No deserto, aprendi que a fé não é ausência de medo, mas a certeza de que, mesmo com medo, Deus caminha conosco.
Clube do Leitor: Ao longo do livro, você compartilha orações e reflexões bíblicas muito íntimas. Como foi transformar essa vivência tão pessoal em um livro que hoje acolhe outras mulheres que enfrentam a dor, o luto ou a doença?
Poliana Ramos Nogueira: Foi um processo profundamente delicado e, ao mesmo tempo, muito libertador. No início, essas orações não tinham intenção de se tornarem públicas. Eram conversas minhas com Deus, escritas em momentos de dor, de cansaço, mas também de esperança. Com o tempo, percebi que aquelas palavras não eram só minhas. Elas carregavam dores que são comuns a muitas mulheres. Transformar essa vivência em livro foi um ato de entrega: confiar que Deus poderia usar minha história para tocar outras histórias. Escrever deixou de ser apenas um exercício pessoal e passou a ser um gesto de amor, de acolhimento e de comunhão.
Clube do Leitor: O livro convida a leitora a escrever sua própria carta para Deus, fazendo da obra quase um diário espiritual. Por que foi importante para você não apenas contar sua história, mas também abrir espaço para que outras mulheres expressem sua fé, seus medos e suas esperanças?
Poliana Ramos Nogueira: Porque eu aprendi, durante o tratamento, que a cura não acontece apenas no corpo. Ela começa quando a alma encontra espaço para se expressar. Muitas mulheres vivem a dor em silêncio, sem conseguir colocar em palavras aquilo que sentem.
Ao convidar a leitora a escrever sua própria carta para Deus, eu quis dizer a ela: sua história importa. Não se trata apenas de ler sobre a minha travessia, mas de permitir que cada mulher encontre a sua própria voz diante de Deus. Esse espaço de escrita é um lugar de oração, de desabafo, de entrega e também de esperança.
Clube do Leitor: Para a mulher que está hoje recebendo um diagnóstico difícil, enfrentando perdas ou se sentindo frágil na fé, qual é a principal mensagem que você gostaria que ela levasse ao fechar a última página de O Amor é Maior que a Dor?
Poliana Ramos Nogueira: Eu gostaria que ela fechasse o livro com a certeza de que ela não está sozinha. Que o sofrimento não define quem ela é, nem tem a última palavra sobre sua história. A dor existe, ela é real, mas o amor de Deus é maior. Maior que o medo, maior que o diagnóstico, maior que a fragilidade da fé. Mesmo quando a fé parece pequena, Deus continua sendo grande.
Que ela leve consigo a esperança de que o DESERTO É LUGAR DE PASSAGEM e que, mesmo ali, Deus cuida, sustenta, ensina e transforma.

