Clube do Leitor: O título Menina dos Olhos de Deus é muito forte e acolhedor. Em que momento da sua vida essa verdade deixou de ser apenas uma expressão bíblica e se tornou uma experiência pessoal?
Aurora Eugênio: Esse termo, “Menina dos Olhos de Deus, carrega uma verdade grandiosa que se tornou como um dínamo na minha autoestima. Quando parei para refletir sobre a profundidade dessa expressão bíblica, compreendi que a menina dos olhos é a parte mais sensível e mais protegida do corpo. Foi nesse momento que deixei de apenas conhecer o versículo e passei a tomar posse dessa verdade como realidade na minha vida. Eu entendi: sou amada, sou cuidada, tenho valor apenas por existir.”
Clube do Leitor: O livro percorre fases marcantes da vida feminina, da menarca à maturidade. Por que foi importante para você tratar a mulher de forma cíclica, considerando corpo, emoções e espiritualidade como partes inseparáveis?
Aurora Eugênio: Porque olhar a mulher de forma cíclica é honrá-la por inteiro. É reconhecer que desde a menarca até a maturidade, cada fase carrega necessidades, emoções e chamados diferentes. Quando a mulher não se conhece, ela sofre sem entender o porquê. Mas quando aprende que foi criada corpo, alma e espírito, tudo começa a fazer sentido. O corpo pede cuidado, a alma clama por acolhimento e o espírito precisa ser nutrido em Deus. Ignorar qualquer uma dessas partes é ferir a si mesma. Tratar a mulher como um todo é um ato de amor, de cura e de reconciliação com a forma como Deus a desenhou.
Clube do Leitor: Durante a leitura, muitas leitoras relatam sentir paz, consolo e a presença do Espírito Santo. Como foi o processo espiritual de escrita desse livro? Houve momentos em que você sentiu que estava sendo conduzida além das palavras?
Aurora Eugênia: Durante todo o processo de escrita, senti claramente a condução do Espírito Santo. Não foi apenas um exercício de escrita, foi uma revisitação da minha própria jornada com Deus. Hoje posso dizer que sou uma mulher completa, porque já atravessei todas as fases da vida feminina e, em cada uma delas, pude enxergar o propósito de Deus. Enquanto escrevia, muitas vezes eu percebia que não eram apenas palavras, mas ministrações que nasciam daquilo que Deus já havia tratado, curado e amadurecido em mim. Por isso acredito que tantas leitoras sentem paz, consolo e a presença do Espírito Santo — porque esse livro foi gerado em um lugar de rendição, escuta e obediência.
Clube do Leitor: Você fala muito sobre identidade, cura emocional e pertencimento. Na sua visão, qual é a maior ferida que as mulheres carregam hoje — e como a fé pode ser um caminho real de restauração?
Aurora Eugênio: Eu acredito que a maior ferida da mulher hoje começa na falta de identidade. Quando uma mulher não sabe quem ela é, ela aceita menos do que merece, se cala quando deveria falar e se perde tentando agradar o mundo. Em segundo lugar, há uma profunda falta de conhecimento — do próprio corpo, das emoções e dos processos que Deus criou para cada fase da vida. A ignorância gera dores que poderiam ser evitadas com ensino e cuidado. E, por fim, existe a falta de acolhimento. Muitas mulheres caminham sozinhas, feridas, sem um lugar seguro para serem ouvidas sem julgamento. A fé entra como um caminho real de restauração porque ela nos lembra que não estamos sós. Hebreus 11:1 nos diz que a fé é a certeza daquilo que esperamos e a convicção do que não vemos. Mesmo quando a mulher ainda não se enxerga inteira, a fé sustenta a verdade de que Deus já a vê completa, amada e pertencente. É nesse lugar que a cura começa.
Clube do Leitor: Se você pudesse deixar uma mensagem direta para cada menina, adolescente ou mulher que vai abrir este livro, o que você gostaria que ela sentisse — ou redescobrisse — ao longo dessa jornada?
Aurora Eugênio: Eu gostaria que cada menina, adolescente ou mulher que abrisse este livro sentisse, antes de qualquer coisa, que é profundamente amada, acolhida e compreendida — exatamente como ela é e no tempo em que está. Que ao longo dessa jornada, ela comece a se ouvir com mais carinho, a conversar consigo mesma sem culpa, sem pressa e sem dureza. E que, nesse encontro íntimo, ela redescubra o seu real valor: não pelo que faz, pelo que viveu ou pelo que disseram sobre ela, mas simplesmente por existir. Que este livro seja um abraço, um espelho e um convite para se reconectar com sua identidade como menina dos olhos de Deus.

