Entrevista:
Alípio Rangel

Nascido em Fortaleza no ano de 1957, mudou para o Rio de Janeiro aos 25 anos onde casou e teve 4 filhos. Com cinco livros escritos e quatro editados, Alípio nos conta sobre seu livro "Nos Bastidores da Vida".

Clube do Leitor: Qual foi a motivação principal para escrever “Nos bastidores da vida” e como suas experiências no mundo das artes influenciaram a história?

Alípio:  Para ser muito sincero, não houve motivação ou talvez o que me motivou tenha sido o excesso de tempo disponível pois na época estava desempregado. Comecei a escrever esse romance à partir da vista da minha janela, era um dia nublado, frio e então fui colocando meus sentimentos na folha em branco. Não fiz nenhuma pesquisa ou mesmo planejei o que escreveria, ela foi saindo à cada toque no teclado e, claro, acabei conduzindo a história para um tema que me era bem familiar; o mundo artístico.

Clube do Leitor: Quais são os personagens principais da história e como você os desenvolveu ao longo do livro?

Alípio:  Os personagens foram aparecendo de forma natural, eles são vários, mas os mais importantes são Dora, Adriano e Raquel. Também posso incluir um personagem que cresceu ao longo do tempo que é Benjamim Kondo, ele tem um papel crucial na vida da Dora que é o centro da história.

Clube do Leitor: “Nos bastidores da vida” aborda de forma crítica a realidade sociopolítica do Brasil. Como você espera que os leitores reflitam sobre essas questões ao ler seu livro?

Alípio: Sou totalmente apolítico, não gosto de políticos e política, para mim são a escória da sociedade. Sempre que posso critico essa instituição corrupta e que não merece o menor respeito. Não espero influenciar os leitores, apenas exponho minha opinião. Hoje em dia vivemos num país em que, mais do que nunca, a política só afasta as pessoas e causa rompimentos entre famílias e amigos.

Clube do Leitor: Além da política, quais outros temas relevantes são explorados no livro?

Alípio: É um livro escrito por um geminiano, abordo vários assuntos que considero importantes, como a sexualidade, o machismo, homofobia, drogas e principalmente o papel da mulher na nossa sociedade.

Clube do Leitor: Você menciona que a protagonista Dora se envolve em um processo de reflexão interna ao se relacionar com a escultora Raquel. Pode nos contar um pouco mais sobre essa parte da história e como ela contribui para a narrativa?

Alípio: Dora é uma mulher extraordinária, vive uma relação de amor e paixão com Adriano. Embora se amem, sabem que não há como ficarem juntos e isso deixa o casal infeliz no que se refere ao amor. Dora, busca alguém que a faça feliz até que conhece Raquel, a sua carência amorosa acaba falando mais alto e ela se deixa ser seduzida. Aproveito esse relacionamento para mostrar a dificuldade que pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo enfrentam até os dias de hoje. Acho inconcebível a homofobia, o preconceito, a brutalidade e a hipocrisia da nossa sociedade com relação aos casais homoafetivos, então, tento mostrar como era danoso para as pessoas terem relações homossexuais nos anos 90, e o pior e mais triste, é que até hoje, apesar de em menor escala esse crime continua sendo cometido. 

Clube do Leitor: Como você utiliza recursos narrativos, como diálogos e pontos de vista diferentes, para criar um panorama da realidade do país na obra?

Alípio: Apenas exponho meus sentimentos e opiniões, o que vai dentro de mim, aquilo que me incomoda, mas sem criar expectativas. Não sou dono da verdade. Quem ler o livro, querendo ou não, vai encontrar-se em algum momento da história, mesmo nos dias de hoje, as pessoas irão se ver numa descrição, em um diálogo e dirão para si mesmas: eu sou assim, mas cabe a elas apreender ou não. Essa é uma das belezas dos livros.

Clube do Leitor: O livro se passa no final do século XX, mas os temas abordados continuam relevantes hoje em dia. Por que você acredita que essas questões ainda são atuais no Brasil?

Alípio: Fomos e somos educados por uma sociedade hipócrita, cheia de crenças limitantes, seguimos algumas religiões que, ao longo do tempo foram se transformando em negócios, partidos políticos, com pregadores pedófilos, “autoridades” que vem à público condenar e desrespeitar as minorias, uma sociedade machista que ainda hoje não aceita que a mulher seja decisiva, provedora e independente, que pretos e homossexuais vivam suas vidas em paz. É repugnante.

Clube do Leitor: Qual mensagem você espera transmitir aos leitores com “Nos bastidores da vida”?

Alípio: Principalmente que as pessoas abram os olhos para o mundo que vivem e que estão criando para filhos, netos e para a sociedade em geral. Procuro mostrar também que com dedicação, todos podem ser bem-sucedidos e que a vida está aí para ser bem vivida e aproveitada. Podemos viver melhor se deixarmos que os outros vivam suas próprias, se respeitarmos de verdade os que estão à nossa volta e que deixemos de lado os preconceitos e a hipocrisia.

Clube do Leitor: Como foi a transição do mundo das artes para a literatura? Quais foram os desafios e as maiores recompensas desse processo?

Alípio: Eu tenho a certeza de que um país só cresce em termos sociais com educação, cultura e arte. Não houve desafios em escrever esse livro, foi prazer da primeira à última página, tanto é que ele acabou ficando com muitas páginas. Sinceramente, só houve recompensas, sou um cara feliz por ter escrito “Nos Bastidores da Vida”.

Clube do Leitor: Além de “Nos bastidores da vida”, você tem planos para escrever outros livros no futuro? Pode nos contar um pouco sobre suas próximas obras?

Alípio: Tenho mais três livros escritos e editados, são eles:

  •  “Hoje Eu Posso Vê-la”, um livro de contos curtos que me emocionou muito pois foi escrito inspirado em músicas que eu ouvia enquanto escrevia, inclusive criei uma playlist com o nome do livro que está disponível no Spotify, imagino que foi uma iniciativa legal abrir para os leitores as canções que me inspiraram.
  •  “Neuroabstinências”, um livro que foi escrito à partir de um encontro de 7 escritores de Jundiai que durou 2 meses, foi uma espécie de oficina literária e o resultado é fantástico, adoro esse livro.
  •  “Entrevidas”, que está recém lançado e é um romance espírita que me desafiou muito pois apesar de ser uma história de ficção, trata de uma doutrina que respeito muito e por isso me exigiu muito cuidado e responsabilidade.

E tem também “Ouvindo o Coração”, que ainda estou escrevendo. Uma história jovem, com personagens ainda adolescentes que estão descobrindo a vida, os relacionamentos, o sexo e é ambientada na cidade de Fortaleza onde nasci. Em breve estará disponível para leitura.

Com exceção de “Neuroabstinências” e do que ainda estou escrevendo, os outros livros estão disponíveis na Amazon.

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