Entrevista:
Clube do Leitor entrevista a escritora Tainá Rodrigues Gottlieb

Entre vampiros e caçadores, Divergência na Sorte constrói um romance marcado por culpa, solidão e escolhas que desafiam regras ancestrais, revelando personagens intensos que habitam a fronteira entre o certo e o condenável; ao dar voz a um protagonista atravessado por séculos de arrependimento e à força transformadora de um amor que ousa romper tradições, Tainá Rodrigues Gottlieb propõe uma narrativa que não busca absolver seus personagens, mas provocar o leitor a encarar as zonas cinzentas da existência — onde viver, afinal, pode ser o maior ato de coragem.

Clube do Leitor: Divergência na Sorte traz um romance atravessado por culpa, destino e escolhas difíceis. Como surgiu a ideia de unir o universo dos vampiros com a linhagem de caçadores, criando esse conflito tão intenso? 

Tainá Rodrigues Gottlieb: Normalmente, em muitas histórias, os vampiros são retratados como os piores monstros. A minha ideia foi criar algo diferente, mostrando que eles não são os únicos predadores. Quis explorar também o mundo deles, suas regras, seus dilemas e a forma como vivem. Divergência na Sorte mergulha nas sombras para revelar esse outro lado, trazendo uma perspectiva mais ampla sobre os nossos queridos “suga-sangues”.

Clube do Leitor: O protagonista carrega séculos de solidão e arrependimento. Como foi o processo de construção emocional desse personagem e quais reflexões você desejava provocar no leitor por meio dele?

Tainá Rodrigues Gottlieb: O principal é deixar claro que mocinhos eles não são. William é um personagem intenso, marcado pelo passado e pelo medo constante de reviver aquilo que o destruiu. Eu quis mostrar que existe um motivo por trás de cada atitude, mesmo quando elas são duras ou questionáveis. Isso não significa justificar suas ações, mas provocar no leitor a reflexão de que nem tudo é tão simples quanto parece.

Clube do Leitor: A transformação da personagem humana rompe uma regra sagrada e desencadeia consequências imprevisíveis. Você acredita que o amor pode justificar decisões que desafiam leis e tradições?

Tainá Rodrigues Gottlieb: Acredito que sim. No caso do William, ele nem sabia que estava quebrando essa regra, mas mesmo que soubesse, isso não mudaria sua decisão. Depois de tanto tempo apenas existindo, ele não desistiria daquela pequena luz. Para ele, o amor não foi apenas um sentimento, foi a chance de voltar a viver.

Clube do Leitor: Sendo seu primeiro livro, quais foram os maiores desafios e descobertas ao longo do processo de escrita e publicação de Divergência na Sorte?

Tainá Rodrigues Gottlieb: Na escrita, até hoje estou aprendendo coisas novas. Não apenas sobre palavras, mas sobre planejamento, organização e construção de narrativa. Como foi meu primeiro livro, eu simplesmente fui escrevendo, sem seguir uma jornada pré-definida. Já na publicação, o maior desafio foi lidar com a busca pela perfeição. A gente se torna tão exigente que acaba alongando o processo mais do que deveria.

Clube do Leitor: Você mencionou que decidiu se permitir viver a escrita após anos de rotina intensa. Como essa escolha impactou sua vida pessoal e o que diria para outras pessoas que também sonham em tirar seus projetos criativos do papel?

Tainá Rodrigues Gottlieb: Sempre vivi com a mente cheia de ideias, e isso muitas vezes me deixava exausta, porque eu nunca pensava em transformar aquilo em algo real. No começo, a minha intenção foi apenas colocar no papel, como uma forma de fazer algo gratificante para mim mesma depois de um dia corrido.

Para as pessoas que têm histórias guardadas na gaveta e sonham em publicar, eu diria: vão em frente. É extremamente satisfatório tornar real tudo aquilo que a gente imagina. E hoje existem vários meios de publicação, então vale a pena buscar esse sonho, independente do caminho escolhido. No final, tudo isso vale muito a pena.

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1 Comment

  1. Carlos Fernando Prado disse:

    Sou fã do trabalho dessa jovem escritora, e lendo essa entrevista me atraiu ainda mais a ler suas histórias, sei que tens vários trabalhos no forno e estou louco para poder desfrutar quando vierem a tona, gostei muito da narrativa, e da forma que trouxe esse outro ponto de vista, sobre os “suga-sangues” como ela disse na entrevista, estarei sempre aguardando mas me delíciar na leitura dos seus trabalhos.

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