Entrevista:
Clube do Leitor entrevista o escritor Plínio Marcos Basílio Garcia

Entre escutas da madrugada e fragmentos da vida urbana, Plínio Marcos Basílio Garcia transforma memórias e histórias marginalizadas em uma escrita crua e poética, onde narrar é, acima de tudo, um ato de sobrevivência e preservação de vozes silenciadas.

Clube do Leitor: Sua obra parte de experiências que atravessam memória, cidade e marginalidade. Em que momento essas vivências deixaram de ser apenas observação e passaram a exigir uma forma literária?

Plínio Marcos B. Garcia: A escrita sempre começa com os pequenos poemas. Mas, os romances vieram depois, através da escuta nas madrugadas, quando a demanda de paciente diminuía. Na calmaria da madrugada, cada conversa se tornava uma confissão daquelas pessoas que não tinha com quem falar. E com o tempo, esse acúmulo de pequenas histórias acabou se transformando em livros.

Clube do Leitor: Em Tempos de Liberdade, sua escrita oscila entre o poético e o áspero. Essa escolha é consciente, como forma de tensionar o leitor, ou emerge naturalmente do próprio universo que você retrata?

Plínio Marcos B. Garcia: É uma história que faz o leitor reviver suas memórias, amores desregulados.

Clube do Leitor: Ao escrever sobre sujeitos silenciados e à margem, como você constrói essa voz narrativa sem cair na representação superficial ou na fala “sobre” o outro?

Plínio Marcos B. Garcia: Tento construir esses personagens a partir da aproximação das escutas, do que foi vivido e compartilhado, me aproximo das ficções e narrativas como em Grande Sertão: veredas, descrevendo a vida de forma cinematográfica.

Clube do Leitor: Seus textos parecem nascer de fragmentos — memórias, cenas urbanas, afetos dispersos. Como funciona seu processo de escrita: você parte de imagens, de experiências ou de uma ideia central?

Plínio Marcos B. Garcia: Vejo as histórias como a vida real. Quando restrita a um único ponto de vista, se torna uma coisa chata. Mas, ao se adicionar outras relações como: irmãos, amigos, namorada do amigo. Ela se torna mais viva e boa para contar e ouvir.

Clube do Leitor: Sua obra atravessa temas como desigualdade, pertencimento e sobrevivência. Você enxerga sua escrita como um gesto estético, político ou inevitavelmente os dois?

Plínio Marcos B. Garcia: Vejo mais como sobrevivência. Em cada personagem, existe um esforço para manter sua história viva, apesar das condições que tentam apagá-la. Mas alguns leitores já identificaram nela pontos de resistência.

Clube do Leitor: Em um cenário onde muitas vozes ainda são silenciadas, que tipo de liberdade você acredita que a literatura ainda é capaz de construir?

Plínio Marcos B. Garcia: Diferente das resistência hollywoodianas, muitas vezes associadas a heróis e máscaras, a literatura constrói uma liberdade única, na forma de consciência cheia de possibilidade de conquistar a própria alma.

 

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7 Comments

  1. Eliana disse:

    Gostei muito da narrativa e a visão que o escritor tem das pessoas, situações e do mundo, pois através de sua visão realista e atual podemos ter acesso a personagens que retratam a vida real e traz a consciência de temas sensíveis que precisam ser vistos com mais atenção pela sociedade.

  2. Luisa Novaes disse:

    Essa obra literária é um mergulho nos fragmentos da literatura, oatanss7ai autor.

  3. Claudia disse:

    Gostei muito, o escritor tem uma super visão de humanização, parabéns

  4. Meus parabéns meu amigo!!! Desejo-lhe muitas vitórias em sua jornada literária!!!

  5. Andréa disse:

    A obra ressalta pontos relevantes a qual tipi de liberdade não expressa e como construir o bem a alma.

  6. Andréa disse:

    Uma bela 9bea literária

  7. Andréa disse:

    Uma bela obra literária

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