01/04/2026

O imperativo da permanência: a escrita como ancoradouro em Eduardo Trankels

A escrita de Eduardo Trankels em O homem que se recusou a desistir solicita do leitor contemporâneo um olhar atento para os mecanismos de construção da memória e para as formas como o sujeito se posiciona diante de sua própria história. Ao anunciar-se como uma história real de fé, perda e permanência, instaura um campo de tensões entre a experiência vivida e a necessidade de conferir-lhe um sentido ético e estético.
01/04/2026

A asfixia do bege e a gramática da exclusão em Lord T.

A história de Ann, uma criança oriental transplantada para o solo rígido da Inglaterra, serve como ponto de partida para uma reflexão sobre as "muralhas étnicas" e o custo subjetivo da alteridade. Logo nas primeiras páginas, percebemos que a tentativa de integração à cultura europeia, idealizada pelos pais da protagonista, colide com a crueza de uma estrutura social que não acolhe o diferente, mas o segrega por meio de um "pesadelo criado por gargalhadas infantis".
10/03/2026

10 questões de espiritualidade

Em sua obra "10 questões de espiritualidade", Afonso Fioravante propõe um exercício que, embora se anuncie sob a chancela da doutrina espírita, acaba por tangenciar dilemas fundamentais da condição humana na contemporaneidade. O livro não se apresenta como um tratado teológico hermético, mas como um compêndio de reflexões pessoais amadurecidas ao longo de décadas, estruturado a partir de uma pedagogia do questionamento.
06/03/2026

O sistema imunológico da distopia e a simetria da revolução

Em Future Rising: A Sétima Máquina, Rick Schwartz mobiliza as convenções do gênero distópico para investigar não apenas as fronteiras entre o orgânico e o sintético, mas a própria estrutura das relações de poder em um mundo mediado por sistemas onipresentes.
06/03/2026

O peso do real na literatura: uma análise de Quando a esperança fica por um fio

A escrita de Ana Paula Pereira de Oliveira em Quando a esperança fica por um fio (2026) nos coloca diante de um fenômeno que a crítica contemporânea tem observado com crescente interesse: a literatura que se desprende da ficção para habitar o território da experiência radical, onde o lugar de fala não é apenas um marcador social, mas a própria sustentação da narrativa.
04/03/2026

A sobrevida do tronco: o cárcere como projeto de uma abolição estigmatizada

A história do Brasil, em sua gênese e permanência, é um projeto de feridas expostas que o tempo, longe de cicatrizar, insiste em reabrir sob novas formas de controle. Em Abolição estigmatizada: racismo, política criminal de drogas e superlotação prisional no Brasil (2025), Iná Nascimento empreende um movimento analítico necessário e urgente: desvelar as estruturas que conectam o trauma da escravidão ao fenômeno contemporâneo do encarceramento em massa.
19/02/2026

Clic e o sol que brilha

A literatura infantil, muitas vezes relegada ao espaço do puramente lúdico ou didático, revela-se, sob um olhar mais atento, como um terreno fértil para a investigação das estruturas sociais e das pedagogias morais que moldam o sujeito contemporâneo. Em Clic e o sol que brilha por dentro (2025), Thiago Duarte Venâncio apresenta uma narrativa que, embora revestida pela simplicidade do gênero, propõe uma reflexão sobre a mecanização dos afetos e a possibilidade de reencantamento do cotidiano através da alteridade.
19/02/2026

Future Rising: A Sétima Máquina – Volume 1

Em Future Rising: A Sétima Máquina, Rick Schwartz mobiliza as convenções do gênero distópico para investigar não apenas as fronteiras entre o orgânico e o sintético, mas a própria estrutura das relações de poder em um mundo mediado por sistemas onipresentes. No centro da narrativa, encontramos Zack, uma figura que encarna a ambivalência do herói contemporâneo: um combatente cuja armadura e implantes neurais o tornam uma extensão da própria tecnologia que ele, em última instância, parece contestar.