14/04/2026

A promessa da felicidade: o dispositivo da cura em Mônica Cechinato

Em "Felicidade: um romance com a alma", Mônica Cechinato propõe uma incursão pelo território das escritas de si, mas o faz deslocando o eixo da autobiografia tradicional para o que poderíamos chamar de uma narrativa de autodescoberta espiritual.
10/04/2026

O encontro entre o corpo e a escrita em Tati Riceli

O livro "Quando o processo me pegou pelo braço: com licença, estou me reencontrando", de Tati Riceli, apresenta-se ao leitor não como um inventário de certezas, mas como uma cartografia de vulnerabilidades. Nas primeiras páginas, o que se delineia é a construção de um percurso de subjetivação que utiliza a escrita como dispositivo de mediação entre o real do corpo e o simbólico da linguagem.
09/04/2026

A arquitetura do afeto: a singularidade como ponte em Flavia Camargo

Em tempos de uma literatura que frequentemente se volta para o abismo do eu ou para a fragmentação caótica do cotidiano, a obra Diferenças em comum, de Flavia Camargo, parece propor um retorno a uma dicção que privilegia a harmonia e a busca por princípios universais da convivência humana.
08/04/2026

A ordem do jogo: uma leitura de Planeta Futebol

Em Planeta Futebol, Wagner Leite concebe um universo onde a totalidade da experiência humana é mediada pelo fenômeno esportivo. Não se trata meramente de um cenário, mas de um princípio organizador: no Planeta Futebol, a identidade do sujeito é definida por uma hierarquia de funções que determina, desde o nascimento, o lugar de cada indivíduo na estrutura social.
01/04/2026

O imperativo da permanência: a escrita como ancoradouro em Eduardo Trankels

A escrita de Eduardo Trankels em O homem que se recusou a desistir solicita do leitor contemporâneo um olhar atento para os mecanismos de construção da memória e para as formas como o sujeito se posiciona diante de sua própria história. Ao anunciar-se como uma história real de fé, perda e permanência, instaura um campo de tensões entre a experiência vivida e a necessidade de conferir-lhe um sentido ético e estético.
01/04/2026

A asfixia do bege e a gramática da exclusão em Lord T.

A história de Ann, uma criança oriental transplantada para o solo rígido da Inglaterra, serve como ponto de partida para uma reflexão sobre as "muralhas étnicas" e o custo subjetivo da alteridade. Logo nas primeiras páginas, percebemos que a tentativa de integração à cultura europeia, idealizada pelos pais da protagonista, colide com a crueza de uma estrutura social que não acolhe o diferente, mas o segrega por meio de um "pesadelo criado por gargalhadas infantis".