Não foi um momento único, foi um acúmulo.
Durante muito tempo eu apenas sobrevivi ao que vivi.
Mas chegou um ponto em que eu percebi que aquela história não era só minha — ela carregava algo que poderia alcançar outras pessoas.
Quando eu falo sobre um novo jeito de viver, eu não estou falando de uma vida perfeita, sem dor ou desafios, mas de uma forma mais consciente, mais presente e mais verdadeira de se relacionar com tudo isso. Esse novo jeito de viver é sair do automático e começar a se escutar.
A escrita sempre começa com os pequenos poemas. Mas, os romances vieram depois, através da escuta nas madrugadas, quando a demanda de paciente diminuía.
Desde a infância, sempre vivi em meio a livros. Lembro-me quando ganhei 5 livros com ilustrações para criar diálogos dentro de balões. Achava muito legal, criar a própria história no livro. Comecei na adolescência meus primeiros versos, poemas, paixões. Depois, iniciei com diários, este hábito permaneceu até a vida adulta.
Entre fé, dor e afeto, Nei L. Santos transforma a própria história em uma narrativa intensa e sensível, onde o amor — imperfeito e resistente — revela sua força ao atravessar as “linhas tortas” da vida.
Foi como encontrar uma amiga que não via há muito tempo. Abracei as palavras e decidi andar mais perto delas. Ando de mãos dadas com elas através dos meus contos, poesias e histórias infantis. Voltar à escrever me fez renascer, ver o mundo com outros olhos.
Normalmente, em muitas histórias, os vampiros são retratados como os piores monstros. A minha ideia foi criar algo diferente, mostrando que eles não são os únicos predadores. Quis explorar também o mundo deles, suas regras, seus dilemas e a forma como vivem. Divergência na Sorte mergulha nas sombras para revelar esse outro lado, trazendo uma perspectiva mais ampla sobre os nossos queridos “suga-sangues”.
Sempre me intrigou o fato de que a maior história espiritual do Ocidente foi contada, inevitavelmente, a partir de poucos nomes que ficaram registrados. Mas a crucificação de Cristo aconteceu diante de uma multidão. Havia soldados, comerciantes, curiosos, mães com filhos, gente que estava apenas passando por ali. Pessoas que viram aquele momento e desapareceram da história sem deixar uma linha escrita.
A primeira experiência marcante que tive foi a lembrança vívida de uma possível vida passada. Eu me via em uma charrete, como se estivesse no século XIX, vestindo roupas típicas da época. Ao meu lado, havia uma mulher, e a sensação era de felicidade e tranquilidade, como se estivéssemos apenas passeando, vivendo aquele momento de forma leve.