A pandemia produziu uma das maiores coleções de documentos da história contemporânea. Relatórios científicos, fotografias, estatísticas, pesquisas, decretos e registros oficiais preservaram os acontecimentos.
O universo jurídico e administrativo que circunda a vida castrense costuma ser percebido pelo público leigo como um bloco monolítico, moldado por certezas inabaláveis e pela retidão linear de seus pilares fundantes.
A literatura, quando pensada em sua função social e histórica, frequentemente se depara com o desafio de mediar a tensão entre o presente imediato e as projeções de um porvir que parece escapar por entre os dedos.
A leitura de "De Newton à inteligência artificial: a jornada da mente humana pelo universo e pelas máquinas", de Ana Carolina, impõe-nos, de imediato, um exercício de deslocamento.
Em "Felicidade: um romance com a alma", Mônica Cechinato propõe uma incursão pelo território das escritas de si, mas o faz deslocando o eixo da autobiografia tradicional para o que poderíamos chamar de uma narrativa de autodescoberta espiritual.
A publicação de Ponto a Ponto, de Eder Miranda, apresenta-se menos como um relato técnico sobre o esporte e mais como uma investigação sensível sobre as complexidades do afeto e a performance das expectativas parentais.
O livro "Quando o processo me pegou pelo braço: com licença, estou me reencontrando", de Tati Riceli, apresenta-se ao leitor não como um inventário de certezas, mas como uma cartografia de vulnerabilidades. Nas primeiras páginas, o que se delineia é a construção de um percurso de subjetivação que utiliza a escrita como dispositivo de mediação entre o real do corpo e o simbólico da linguagem.
Em tempos de uma literatura que frequentemente se volta para o abismo do eu ou para a fragmentação caótica do cotidiano, a obra Diferenças em comum, de Flavia Camargo, parece propor um retorno a uma dicção que privilegia a harmonia e a busca por princípios universais da convivência humana.
Em Planeta Futebol, Wagner Leite concebe um universo onde a totalidade da experiência humana é mediada pelo fenômeno esportivo. Não se trata meramente de um cenário, mas de um princípio organizador: no Planeta Futebol, a identidade do sujeito é definida por uma hierarquia de funções que determina, desde o nascimento, o lugar de cada indivíduo na estrutura social.